Se você chegou aos 23, 25, 30 anos e começou a sentir que fazer amigos ficou mais difícil, você não está errada, fria ou “difícil demais”. Você está apenas vivendo a fase adulta de forma consciente.
Depois dos 23 anos, algo muda silenciosamente. As amizades não surgem mais por convivência obrigatória, como na escola ou na faculdade. Elas passam a exigir intenção, energia emocional e disponibilidade real. E isso assusta.
Muita gente sente solidão nessa fase, mas quase ninguém fala sobre isso abertamente. Existe uma pressão invisível para parecer bem resolvida, ocupada, independente. Admitir que sente falta de conexão vira quase um tabu.
Este texto não é sobre “como fazer amigos rapidamente”. É sobre como construir amizades verdadeiras, que façam sentido para a mulher que você se tornou, não para quem você era aos 18.
Por que fazer amigos depois dos 23 anos parece tão difícil?
Antes de tentar resolver, é preciso entender o problema.
Depois dos 23 anos, a vida começa a se fragmentar. Cada pessoa entra em um ritmo diferente. Algumas estão focadas na carreira, outras em relacionamentos, outras em autoconhecimento, outras apenas tentando sobreviver emocionalmente.
Além disso, surgem alguns fatores importantes:
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Menos tempo disponível
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Mais filtros emocionais
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Menos paciência para relações rasas
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Mais consciência sobre limites
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Mais medo de rejeição social
Você não quer qualquer amizade. Você quer alguém que some, que entenda sua fase, que respeite seu espaço e que converse além do superficial.
Isso reduz a quantidade de conexões, mas aumenta a qualidade. O problema é que, até encontrar essas pessoas, existe um vazio desconfortável.
A solidão adulta não significa fracasso social
Existe uma diferença enorme entre estar sozinha e estar solitária.
Muitas pessoas estão cercadas de gente e ainda assim se sentem profundamente sozinhas. Outras passam períodos com poucos amigos, mas em paz consigo mesmas.
Depois dos 23, a solidão costuma aparecer como um convite. Um convite para rever quem você é, o que você aceita e que tipo de relação você quer construir.
Ignorar esse momento geralmente leva a amizades por carência, não por afinidade. E isso cobra um preço emocional alto depois.
Amizades adultas não nascem do nada, elas são cultivadas
Um erro comum é achar que amizades “simplesmente acontecem”. Na vida adulta, isso raramente é verdade.
Amizades reais exigem:
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Iniciativa
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Vulnerabilidade
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Constância
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Clareza emocional
E aqui está um ponto importante: muitas pessoas querem amigos, mas poucas estão dispostas a ser amigas.
Ser amiga envolve ouvir sem julgar, aparecer quando dá trabalho, respeitar fases e aceitar que nem todo encontro será perfeito.
Onde fazer amigos depois dos 23 anos?
Não existe um lugar mágico, mas existem ambientes mais férteis para conexões reais.
Alguns exemplos:
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Grupos de estudo ou leitura (temos um aqui, vou deixar o link do texto da nossa comunidade, se você se interessar, será bem vindx)
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Academias, aulas coletivas ou esportes
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Comunidades online com encontros presenciais ou calls
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Cursos, mentorias e workshops
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Trabalho voluntário
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Eventos pequenos, não multidões
O ponto não é o lugar, é o contexto. Ambientes onde as pessoas compartilham valores, interesses e rotinas aumentam muito as chances de amizade verdadeira.
Pare de esperar ser escolhida, comece a escolher
Muita gente espera que alguém puxe conversa, convide, se aproxime. Isso cria frustração constante.
Depois dos 23, fazer amigos exige postura ativa. Não agressiva, mas aberta.
Isso pode significar:
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Mandar uma mensagem depois de um encontro agradável
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Convidar alguém para um café simples
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Demonstrar interesse genuíno pela história da outra pessoa
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Fazer perguntas reais, não automáticas
Rejeição pode acontecer. E tudo bem. Nem toda conexão precisa virar amizade.
Vulnerabilidade é o que transforma contato em vínculo
Conversas superficiais mantêm relações superficiais.
Amizades profundas nascem quando alguém tem coragem de sair do script social. Quando você compartilha algo verdadeiro, sem dramatizar e sem se diminuir, você cria espaço para o outro fazer o mesmo.
Vulnerabilidade não é despejar tudo de uma vez. É ser honesta aos poucos, no ritmo da confiança.
Nem todo mundo que você conhece precisa virar amigo
Outro ponto importante: amizade não é quantidade.
Depois dos 23, ter 2 ou 3 amizades sólidas é muito mais valioso do que manter dezenas de contatos que não sabem nada sobre você.
Aceitar isso tira uma pressão enorme. Você não precisa ter uma agenda social lotada. Você precisa ter relações que façam sentido.
Aprenda a diferenciar afinidade de carência
Muitas amizades na vida adulta começam por carência emocional. Duas pessoas se aproximam porque estão sozinhas, não porque combinam.
Isso geralmente gera relações desequilibradas, dependência emocional ou frustração.
Antes de investir em alguém, observe:
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Você se sente à vontade sendo você?
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Existe troca ou só esforço de um lado?
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Você se sente energizada ou drenada depois dos encontros?
Essas respostas dizem muito.
Amizades adultas precisam de manutenção consciente
Uma amizade não se mantém sozinha. Principalmente depois dos 23, quando a vida fica cheia.
Pequenos gestos fazem diferença:
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Lembrar datas importantes
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Mandar uma mensagem sem motivo específico
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Respeitar o tempo do outro
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Ser clara quando algo incomoda
Amizade madura não vive de joguinhos.
E quando você sente que não se encaixa em lugar nenhum?
Esse sentimento é mais comum do que parece.
Às vezes você não encontra pessoas parecidas porque você está em transição. Você não é mais quem era, mas ainda está descobrindo quem está se tornando.
Nessa fase, investir em si mesma é essencial. Quando você se alinha internamente, suas conexões externas começam a refletir isso.
Fazer amigos depois dos 23 exige autoconhecimento
Quanto mais você se conhece, mais fácil fica identificar quem faz sentido na sua vida.
Pergunte-se:
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Que tipo de conversa me nutre?
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Que valores são inegociáveis para mim?
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Que tipo de energia eu quero ao meu redor?
Essas respostas funcionam como um filtro natural.
Amizades verdadeiras respeitam fases
Uma das maiores dores da vida adulta é perceber que algumas amizades não acompanham seu crescimento.
Isso não significa que alguém é ruim. Significa apenas que os caminhos mudaram.
Soltar relações que não fazem mais sentido também é um ato de amor próprio.
A amizade certa não te deixa menor
Uma amizade saudável não te faz competir, se comparar ou se explicar o tempo todo.
Ela te acolhe, te desafia com respeito e cresce junto com você.
Depois dos 23, você não precisa de gente que te drena. Você precisa de gente que caminha ao seu lado.
Conclusão: amizade adulta é escolha, não acaso
Fazer amigos depois dos 23 anos é mais difícil, sim. Mas também é mais bonito.
Você escolhe com mais consciência. Você se conecta com mais verdade. Você constrói relações que sustentam quem você é hoje, não quem você foi no passado.
Não se apresse. Não se compare. Não aceite menos do que merece.
As amizades certas chegam quando você para de se encaixar e começa a se posicionar.
Fontes (apoio conceitual)
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American Psychological Association – estudos sobre vínculos sociais e saúde emocional
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Harvard Study of Adult Development – impacto das relações na felicidade ao longo da vida
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Brené Brown – vulnerabilidade e conexão humana


