Existe uma crença muito difundida no universo da moda de que ter estilo é caro. Que para se vestir bem você precisa estar sempre atualizada com as tendências, comprar as peças da estação e renovar o guarda-roupa com frequência. Que estilo é algo que você compra, não algo que você desenvolve.

Essa crença beneficia muito a indústria da moda. E prejudica muito as mulheres que a acreditam.

A verdade é que as pessoas com mais estilo que você já viu na vida raramente são as que gastam mais. São as que se conhecem melhor. Que sabem o que funciona para o seu corpo, para a sua rotina e para quem elas são. Que têm clareza sobre o que querem comunicar com a roupa antes de abrir o guarda-roupa.

Esse conhecimento não custa nada. E é exatamente o que você vai desenvolver aqui.

Mas antes de entrar no guia prático, quero te mostrar algo que vai complementar tudo que você vai ler:

Assiste lá e depois volta para a leitura, porque o que vem a seguir vai fazer muito mais sentido depois de assistir. E se alguma coisa te tocou, deixa nos comentários do vídeo, adoro ler cada mensagem de vocês.

O que é estilo pessoal de verdade

Estilo pessoal não é seguir tendências. Não é ter as peças certas da temporada. Não é parecer com a influenciadora que você admira ou com a mulher bem vestida do escritório.

Estilo pessoal é a expressão visual de quem você é. É a forma como você usa a roupa para comunicar algo sobre a sua personalidade, os seus valores e como você quer se sentir no mundo antes mesmo de abrir a boca.

Quando uma mulher tem estilo, você consegue sentir. Ela pode estar usando uma camiseta básica e uma calça jeans e parecer absolutamente intencional e elegante. Não porque as peças são caras. Porque existe uma coerência entre o que ela está usando e quem ela é. Uma sensação de que aquela roupa é dela, não de ninguém mais.

Essa coerência não vem das roupas. Vem do autoconhecimento.

Por que a maioria das mulheres não tem clareza sobre o próprio estilo

Antes de falar sobre como encontrar o seu estilo, vale entender por que é tão difícil para tantas mulheres saber o que gostam de usar e por que.

A primeira razão é que a indústria da moda foi construída exatamente para criar essa confusão. Tendências mudam a cada estação de propósito. O que era moderno em março é ultrapassado em setembro. E quem dita essas regras não é você. São as marcas, as revistas e os algoritmos que querem que você continue comprando.

Quando você passa anos seguindo tendências externas em vez de desenvolver uma perspectiva própria sobre o que gosta, você perde o fio do seu próprio gosto. E fica naquela situação de ter o guarda-roupa cheio mas nada para vestir.

A segunda razão é que muitas mulheres foram ensinadas a se vestir para os outros. Para agradar o parceiro. Para parecer profissional para o chefe. Para não chamar atenção demais. Para não parecer arrogante. Essas vozes externas criam um ruído enorme que dificulta ouvir o que você mesma quer.

E a terceira razão é simplesmente a falta de tempo e de espaço para refletir sobre isso. Quando a vida está cheia de demandas, você pega a primeira roupa que parece adequada e vai. Não porque não se importa, mas porque nunca parou para pensar de verdade.

O exercício do guarda-roupa revelador

Antes de comprar qualquer coisa ou de jogar qualquer coisa fora, o primeiro passo para encontrar o seu estilo é fazer um inventário honesto do que você já tem. E não só o que tem, mas como você se sente com cada peça.

Separe um período tranquilo, um sábado de manhã, uma tarde livre, e tire tudo do guarda-roupa. Tudo mesmo. E vá passando peça por peça fazendo três perguntas simples.

Primeira pergunta: quando eu coloco essa peça, como eu me sinto? Confiante, confortável, eu mesma? Ou desconfortável, insegura, como se estivesse usando fantasia?

Segunda pergunta: eu uso essa peça com regularidade ou ela fica pendurada esperando a ocasião certa que nunca chega?

Terceira pergunta: se eu visse essa peça numa loja hoje, sem ver o preço, eu compraria de novo?

Peças que respondem positivamente nas três perguntas são o coração do seu guarda-roupa e os melhores indicadores do que é realmente o seu estilo. Essas são as peças que te fazem sentir mais você mesma. Preste atenção nelas. Elas têm muito a te ensinar sobre quem você é esteticamente.

Peças que respondem negativamente nas três, especialmente nas duas primeiras, podem ir. Mas não precisa jogar fora agora. Só separe em outra parte do guarda-roupa e observe se você sente falta.

Mapeie os padrões do que você ama

Depois de fazer o inventário, olhe para o grupo das peças que te fazem sentir bem e procure os padrões.

Que cores aparecem com mais frequência? Você tende para tons neutros, terrosos, pastéis, ou prefere cores vibrantes? Existe uma paleta que se repete?

Que silhuetas te fazem sentir mais confortável e confiante? Roupas mais estruturadas ou mais fluidas? Caimento mais solto ou mais ajustado? Comprimentos mais curtos ou mais longos?

Que tecidos te atraem? Você prefere algodão e linho pela leveza e conforto? Prefere tecidos mais nobres como seda e viscose? Evita tecidos sintéticos ou abraça a praticidade deles?

Que estética geral aparece? As peças são mais minimalistas e clean? Têm mais personalidade e detalhes? São mais românticas? Mais urbanas? Mais despojadas?

Esses padrões são o seu estilo pessoal emergindo. Eles não foram escolhidos por ninguém. São os que aparecem consistentemente quando você faz escolhas livres de pressão externa.

Crie o seu moodboard de estilo

Um moodboard é uma coleção de imagens que representam a estética que você quer cultivar. E criar um é completamente gratuito e incrivelmente revelador.

Abra o Pinterest, o Instagram ou qualquer plataforma de imagens e salve tudo que te atrai esteticamente sem se censurar. Roupas, ambientes, cores, pessoas, texturas, imagens que evocam uma sensação que você quer ter.

Não filtre pelo que acha possível para você ou pelo que cabe no orçamento. Filtre só pelo que você genuinamente ama olhar.

Depois de salvar de 30 a 50 imagens, dê um passo atrás e olhe para o conjunto. Que padrões aparecem? Que cores dominam? Que sensação geral o conjunto transmite? Palavras como minimalista, romântico, urbano, boho, clássico, edgy, colorido, monocromático costumam emergir naturalmente quando você vê o conjunto.

Essas palavras são os pilares do seu estilo pessoal. E elas funcionam como um filtro para futuras compras e para olhar para o que já tem no guarda-roupa com mais clareza.

Defina as suas palavras de estilo

Esse é um exercício simples e poderoso que muitos estilistas usam com clientes e que você pode fazer agora mesmo de graça.

Escolha três a cinco palavras que descrevem como você quer se sentir quando está vestida. Não como você quer parecer para os outros. Como você quer se sentir por dentro.

Exemplos: confiante, leve, elegante, criativa, forte, feminina, confortável, poderosa, autêntica, discreta, marcante, sofisticada, despreocupada, intencional.

Escreva essas palavras em algum lugar que você vai ver com frequência. Coladas no espelho do quarto, salvas no celular, escritas no caderno.

A partir de agora, essas palavras funcionam como o seu filtro de estilo. Antes de comprar qualquer peça nova, pergunte: essa peça me faz sentir as minhas palavras? Se a resposta for não, ela não pertence ao seu guarda-roupa independentemente de ser bonita ou estar em promoção.

Aprenda a fazer mais com o que já tem

Uma das descobertas mais surpreendentes do processo de encontrar o próprio estilo é que a maioria das mulheres já tem no guarda-roupa muito mais do que imagina. O problema raramente é falta de roupas. É falta de clareza sobre como combiná-las.

Experimente o exercício dos 10 por 10: escolha dez peças do seu guarda-roupa que você já tem e que refletem as suas palavras de estilo. E tente criar dez combinações diferentes com essas dez peças. Só dez peças. Dez combinações.

Esse exercício revela o potencial do que você já tem de formas surpreendentes. Combinações que você nunca teria tentado de outra forma. Peças que você achava que não combinavam com nada e que, na combinação certa, ficam incríveis.

Foto cada combinação que funcionar. Crie um arquivo de looks que você já provou que funciona para você. Nos dias em que não tem inspiração ou não tem tempo, consulte esse arquivo.

A regra das três peças que transforma qualquer look

Uma das fórmulas de estilo mais simples e mais eficazes que existem é a regra das três peças. A ideia é que qualquer look fica muito mais intencional e coeso quando combina peças de três categorias distintas.

Peça de base, que é a roupa em si, uma calça, um vestido, uma saia com blusa. Peça de textura ou camada, que adiciona dimensão ao look, um blazer, uma jaqueta, um cardigã, um sobretudo. Acessório âncora, que amarra o look e diz algo sobre quem você é, um colar marcante, um brinco diferente, uma bolsa com personalidade, um lenço.

Quando você tem as três camadas, o look parece completo e intencional mesmo com peças muito simples. E quase todos esses elementos você já tem. É só combinar de formas novas.

O papel dos acessórios no estilo pessoal

Acessórios são a forma mais acessível e mais poderosa de desenvolver e expressar o estilo pessoal. Uma roupa básica completamente neutra se transforma com os acessórios certos. E eles custam muito menos do que roupas novas.

Brincos são talvez o acessório com maior poder de transformação por menor custo. Um brinco marcante muda completamente a percepção de um look simples. E você não precisa de muitos, precisa dos certos para o seu estilo.

Bolsas dizem muito sobre estilo. Uma bolsa estruturada comunica uma coisa. Uma tote de lona comunica outra. Uma bolsa transversal pequena comunica outra ainda. Você provavelmente já tem pelo menos uma bolsa que representa bem o seu estilo. Use mais.

Cintos são subestimados mas têm um poder enorme de criar silhueta e adicionar intenção a looks que parecem indefinidos. Um cinto na cintura de um vestido fluido, sobre uma camisa aberta ou num look de alfaiataria muda completamente a leitura do conjunto.

Lenços são versáteis o suficiente para serem usados no cabelo, no pescoço, na bolsa, como top, como cinto. E geralmente custam muito pouco.

Estilo e corpo: a conversa que ninguém tem

Parte de encontrar o próprio estilo é também fazer as pazes com o próprio corpo. Porque você não pode vestir bem um corpo que você está tentando esconder.

Existe uma cultura muito nociva na moda de roupas que são usadas para disfarçar o corpo. Para cobrir o que você acha que é defeito. Para minimizar o que você foi ensinada a ter vergonha.

Mas estilo de verdade não esconde. Ele celebra. Ele apresenta o seu corpo ao mundo com intenção e com confiança, independentemente do formato, do tamanho e da fase de vida que você está.

Isso não significa que você precisa usar o que não se sente confortável. Significa que a escolha do que usar deve vir do que te faz sentir bem, não do que você acredita que vai fazer os outros notarem menos o seu corpo.

As roupas que te fazem sentir mais bonita, mais confiante e mais você mesma são as que ficam melhor em você. Independentemente das regras de moda para o seu tipo de corpo.

Construa o seu arquivo de inspiração pessoal

Uma prática simples e gratuita que acelera muito o desenvolvimento do estilo pessoal é criar um arquivo de inspiração consistente com imagens que representam como você quer se vestir e se sentir.

Isso pode ser um álbum no celular, uma pasta no Pinterest, um caderno com recortes ou qualquer formato que funcione para você. O que importa é que seja um lugar para onde você olhe com frequência e que vá sendo atualizado conforme o seu gosto evolui.

Com o tempo, esse arquivo vai mostrar os padrões do seu estilo de forma cada vez mais clara. Vai servir como referência quando você estiver fazendo compras para não se desviar do que realmente combina com você. E vai te inspirar nos dias em que você abre o guarda-roupa e sente que não tem nada para vestir, mesmo que o guarda-roupa esteja cheio.

Estilo é prática, não perfeição

Uma última coisa importante antes de você fechar esse post e ir abrir o guarda-roupa: desenvolver o estilo pessoal é um processo. Não acontece de uma semana para outra. Você vai ter dias em que vai errar a combinação. Vai comprar uma peça que parecia certa e que vai usar uma vez. Vai passar por fases de estilo que depois parecem completamente erradas.

Tudo isso faz parte. O estilo pessoal evolui junto com você. O que combina com quem você é aos 25 pode não combinar com quem você é aos 35. E isso não é inconsistência. É crescimento.

O que você está construindo com esse processo não é uma fórmula fixa. É uma relação mais honesta e mais consciente com a forma como você se apresenta para o mundo. Uma relação onde as escolhas vêm de dentro, não de uma tendência passageira ou de uma pressão externa.

E quando você se olha no espelho e sente aquela sensação de que está completamente você mesma, que a roupa que está usando é uma expressão de quem você é e não uma fantasia ou uma armadura, isso não tem preço.

Literalmente.

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